quarta-feira, 29 de maio de 2013

A cultura mixteca

A cultura mixteca é uma cultura arqueológica pré-hispânica, com as suas primeiras manifestações no período Pré-Clássico Mesoamericano, c. XV-II a.C., tendo terminado com a Conquista Espanhola, nas primeiras décadas do séc. XVI da nossa era. Dentro desta cultura, o nosso enfoque centra-se nos mixtecos,  "o povo das nuvens", em asteca.[1] Este povo indígena encontrava-se presente no território histórico La Mixteca, ou Ñuu Dzahui, em mixteco antigo. La Mixteca compreende a região territorial entre os actuais estados de Guerrera, Puebla e Oaxaca, sendo este último o nosso caso de estudo.(fig. 1) Com uma longa cronologia, que remonta à data de 1500 a.C., altura em que floresceram as aldeias agrícolas de Yucuita e de Monte Negro, centramos a nossa investigação no período Clássico e Pós-Clássico.(fig.2)
No período Clássico é importante frisar o crescimento dos centros de Teotihuacan e de Monte Albán, região que, como iremos observar, foi fundamental para a metalurgia mixteca. No final desta época estes mesmos centros sofrem de uma extinção das populações, sendo ocupados por tribos que se apoderam do que subsistiu das anteriores, entre elas os mixtecos. 
O contacto entre náguas e mixtecas vai ter consequências na arte mexicana, gerando-se uma mescla de concepções religiosas e cosmológicas. Deste troca de influências, os astecas irão mais tarde retirar proveito e conceber a sua própria cultura.[2] Na região onde estes dois povos convivem e edificam uma civilização, designada como "mixteca-puebla", apesar da diferença entre línguas e origens, as trocas de ideias e teorias vão ser recorrentes. Enquanto os mixtecas se apresentam com um grande virtuosismo artístico e grandes habilidades técnicas, os náguas são importantes para o desenvolvimento das concepções religiosas e cosmológicas, sendo estas muito diferentes das dos zapotecas. Neste contexto, destaca-se a cidade de Teotitlan del Camino, uma cidade mazateca que desempenhou um importante papel no desenvolvimento das ideias religiosas. Neste sentido os sacerdotes procuravam criar uma visão sincrética dos deuses e do universo, criando uma síntese dos mitos tribais e das lendas particulares de cada região.  Já os símbolos hieroglíficos dos mixtecas parecem ter sido imitados dos maias, criando assim um sincretismo nesta cultura e tornando difícil a identificação da sua herança cultura.[3]
Com uma história escrita que se inicia no séc. VII, a cultura mixteca atinge o seu apogeu no período Pós-Clássico, sob o domínio da figura histórico-legendária "Ocho Ciervo" ou " Garra de jaguar" (1011-1063). Foi no séc. XI que o povo mixteca decidiu expandir-se e desenvolver a sua área territorial. Os náguas, conscientes da superioridade técnica dos mixtecas, favoreceram o intercâmbio cultural. Exemplo disso é o 4º monarca de Texcoco que, no início do séc. XIV,  consente a imigração de mixtecas para a cidade que tinha acabado de fundar.
Apesar da troca de influências entre estes povos pré-hispânicos, os mixtecas consideravam-se autóctones. Segundo os mitos desta cultura, os seus antepassados teriam saído do solo ou nascidos das árvores do país, estabelecendo o seu primeiro centro em Tilantongo, na região de Oaxaca. 
Esta cultura, a par dos astecas, subiste até à Conquista Espanhola, como já referido anteriormente, deixando a sua marca em diversos sectores. Destacam-se a ourivesaria, a lapidação de gemas, a iconografia religiosa, a escultura em madeira, a cerâmica policromada e a iluminação de manuscritos.[4]
Fundamental para o estudo deste povo são os cronistas mixtecas e os códices Bodley, Zoucbe-Nutall, pintado em 1350, e Vindobonensis, de c. 1375, que relatam a história mixteca desde os finais do séc. VII, c. 692, até à Conquista Espanhola.[5]

Fig. 1 - A região La Mixteca, onde se incluem os estados de Guerrero, Puebla e Oaxaca

Fig. 2 - A presença mixteca ao longo do desenvolvimento da Mesoamérica

[1] ANTON, Ferdinand, ROSS, Peter, Ancient Mexican Art, Nova Iorque: G.P.Putman, 1969, p. 160
[2] idem, p. 119
[3] idem, p. 120
[4] idem, p. 160
[5] CANTU, Gloria, Historia de Mexico - El proceso de gestación de un pueblo, México: Pearson Educación, 2002

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