Oaxaca desenvolveu uma grande tradição de ourivesaria desde os finais do séc. IX até ao início do séc. XVI. A exploração mineira iniciou-se no Período Clássico, entre 1 e 700 d.C., sendo parte de um processo tecnológico de aproveitamento integral dos minerais. Mais tarde, este processo incluirá também a preparação mecânica, a metalurgia extractiva e o uso de moldes. Na Mesoamérica desenvolveu-se simultaneamente a metalurgia extractiva e a ourivesaria, durante o séc. XI, provavelmente desenvolvidas pela América do Sul. [1]
O conhecimento metalúrgico em Oaxaca é datado numa época relativamente tardia, sendo a técnica totalmente dominada apenas em 800 d.C., nos finais do período Clássico. Neste sentido, diversos investigadores identificam influências externas de processos elaborados, que chegaram à Mesoamérica por via marítima. Situam a origem da metalurgia no Centro e no Sul da América, regiões onde o ouro era trabalhado, assim como o cobre puro e a prata, ainda que em menor escala. Esta expansão deu-se provavelmente pelo Pacífico, o que explica a fase inicial de desenvolvimento nas regiões de Oaxaca, Guerrero e Michoacán, difundindo-se mais tardiamente por outras regiões da Mesoamérica. No entanto, são também identificadas rotas terrestres neste intercâmbio, sobretudo com as áreas anteriormente referidas e ainda com Chiapas. Podemos afirmar que, com base nos centros de ourivesaria estabelecidos, as rotas de entrada da ourivesaria procedente do Centro e do Sul da América relacionavam-se com a rede de intercâmbio marítimo costeiro, com bases terrestres no Equador.[2] Mais concretamente, Paul Rivete, um investigador da ourivesaria mixteca, identifica a origem da metalurgia no Peru. Segundo ele, a metalurgia chegou até à costa mexicana do Pacífico desde a costa Norte do Peru, tendo sido introduzidas neste processo diversas técnicas. Exemplo disso são as técnicas do cobre e do bronze, o casamento de metais e a coloração da liga resultante desse mesmo casamento.
A difusão da metalurgia na Mesoamérica tratou-se de um processo lento e paulatino, sendo por isso bastante notável a prontidão dos mixtecas na recepção destas técnicas e no seu aperfeiçoamento, atingindo grande renome, não só a nível local, como também internacional. [3]
Com base no estudo dos objectos de ourivesaria mesoamericanos, podemos identificar duas fases na introdução de influências estrangeiras. Uma primeira fase, situada entre os anos 700 e 1000, indica que a difusão do trabalho do metal poderá ter chegado através da rede de intercâmbio com base no Equador. Esta afirmação pode ser confirmada com base nos tipos de vestígios arqueológicos, nas técnicas utilizadas, sendo especialmente notável a semelhança com a metalurgia do sul do Equador. Por volta do ano 700 introduz-se nos centros de ourivesaria mixtecas e do Ocidente as técnicas de fundição com ceras perdidas, a soldadura e o casamento de metais. A segunda fase, iniciada no ano 1000, mantém as influências anteriores assim como denota a influência de elementos originários do sul do Peru e da Bolívia, numa época em que estas populações expandem as suas rotas marítimas. [4]
Na extracção do ouro, destacam-se cidades como Chinantla, Sosola e Tututepec, a província mais rica. Ainda de frisar outras regiões como Coatlán, Ocelo, Tepeque, Pochutla, Suchitepeque, Tehuantepec, Chinantla, Yanhuitlán, Teotitlán. [5]
Quanto às trocas comerciais efectuadas, alguns cronistas defendem que o ouro que circulava em Anáhuac tinha a sua origem em Oaxaca. À medida que Tenochitlan é ocupada pelos mixtecas, vão também chegando diversos objectos em ouro, como pagamento de tributos. Em Azcapotzalco existiam também diversos centros de ourivesaria mixteca, tendo mesmo ocorrido a transferência de ourives mixtecas para a região.Uma outra rede de intercâmbio situava-se na região de Chibcha, no sul da costa central do Perú. Esta rede terá funcionado entre os anos 1000 e 1534.
Devido ao sistema sócio-político mixteca e às fortes linhagens dos nobres, que favoreciam fortes alianças e um patronato cultural, os mixtecas regulamentavam e controlavam o ouro, a produção de objectos com o mesmo e a sua coercialização. [6]
Em 1519, com a chegada dos Espanhóis, ocorrem trocas de materiais entre os mixtecas e os colonizadores, ainda de forma injusta por ingenuidade do povo indígena. Enquanto os mixtecas ofereciam ouro, o povo espanhol oferecia em troca "contas de cristal de cor azul", isto é, pequenos pedaços de vidro. Quando Hernán Cortés questiona Moctezuma acerca da localização do ouro, Oaxaca é saqueada, assim como as sepulturas da região. Com a conquista, os mixtecas pagavam o seu tributo em ouro, tendo sido diversos objectos valiosos destinados à fundição. Em Espanha, o ouro fundido era transformado em moedas.[7]
[1] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[2] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 318
[3] SOUSTELLE, Jacques, El arte del México Antiguo, Barcelona: Juventud, 1969, p. 120
[4] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 318
[5] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[6] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 320
[7] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
O conhecimento metalúrgico em Oaxaca é datado numa época relativamente tardia, sendo a técnica totalmente dominada apenas em 800 d.C., nos finais do período Clássico. Neste sentido, diversos investigadores identificam influências externas de processos elaborados, que chegaram à Mesoamérica por via marítima. Situam a origem da metalurgia no Centro e no Sul da América, regiões onde o ouro era trabalhado, assim como o cobre puro e a prata, ainda que em menor escala. Esta expansão deu-se provavelmente pelo Pacífico, o que explica a fase inicial de desenvolvimento nas regiões de Oaxaca, Guerrero e Michoacán, difundindo-se mais tardiamente por outras regiões da Mesoamérica. No entanto, são também identificadas rotas terrestres neste intercâmbio, sobretudo com as áreas anteriormente referidas e ainda com Chiapas. Podemos afirmar que, com base nos centros de ourivesaria estabelecidos, as rotas de entrada da ourivesaria procedente do Centro e do Sul da América relacionavam-se com a rede de intercâmbio marítimo costeiro, com bases terrestres no Equador.[2] Mais concretamente, Paul Rivete, um investigador da ourivesaria mixteca, identifica a origem da metalurgia no Peru. Segundo ele, a metalurgia chegou até à costa mexicana do Pacífico desde a costa Norte do Peru, tendo sido introduzidas neste processo diversas técnicas. Exemplo disso são as técnicas do cobre e do bronze, o casamento de metais e a coloração da liga resultante desse mesmo casamento.
A difusão da metalurgia na Mesoamérica tratou-se de um processo lento e paulatino, sendo por isso bastante notável a prontidão dos mixtecas na recepção destas técnicas e no seu aperfeiçoamento, atingindo grande renome, não só a nível local, como também internacional. [3]
Com base no estudo dos objectos de ourivesaria mesoamericanos, podemos identificar duas fases na introdução de influências estrangeiras. Uma primeira fase, situada entre os anos 700 e 1000, indica que a difusão do trabalho do metal poderá ter chegado através da rede de intercâmbio com base no Equador. Esta afirmação pode ser confirmada com base nos tipos de vestígios arqueológicos, nas técnicas utilizadas, sendo especialmente notável a semelhança com a metalurgia do sul do Equador. Por volta do ano 700 introduz-se nos centros de ourivesaria mixtecas e do Ocidente as técnicas de fundição com ceras perdidas, a soldadura e o casamento de metais. A segunda fase, iniciada no ano 1000, mantém as influências anteriores assim como denota a influência de elementos originários do sul do Peru e da Bolívia, numa época em que estas populações expandem as suas rotas marítimas. [4]
Na extracção do ouro, destacam-se cidades como Chinantla, Sosola e Tututepec, a província mais rica. Ainda de frisar outras regiões como Coatlán, Ocelo, Tepeque, Pochutla, Suchitepeque, Tehuantepec, Chinantla, Yanhuitlán, Teotitlán. [5]
Quanto às trocas comerciais efectuadas, alguns cronistas defendem que o ouro que circulava em Anáhuac tinha a sua origem em Oaxaca. À medida que Tenochitlan é ocupada pelos mixtecas, vão também chegando diversos objectos em ouro, como pagamento de tributos. Em Azcapotzalco existiam também diversos centros de ourivesaria mixteca, tendo mesmo ocorrido a transferência de ourives mixtecas para a região.Uma outra rede de intercâmbio situava-se na região de Chibcha, no sul da costa central do Perú. Esta rede terá funcionado entre os anos 1000 e 1534.
Devido ao sistema sócio-político mixteca e às fortes linhagens dos nobres, que favoreciam fortes alianças e um patronato cultural, os mixtecas regulamentavam e controlavam o ouro, a produção de objectos com o mesmo e a sua coercialização. [6]
Em 1519, com a chegada dos Espanhóis, ocorrem trocas de materiais entre os mixtecas e os colonizadores, ainda de forma injusta por ingenuidade do povo indígena. Enquanto os mixtecas ofereciam ouro, o povo espanhol oferecia em troca "contas de cristal de cor azul", isto é, pequenos pedaços de vidro. Quando Hernán Cortés questiona Moctezuma acerca da localização do ouro, Oaxaca é saqueada, assim como as sepulturas da região. Com a conquista, os mixtecas pagavam o seu tributo em ouro, tendo sido diversos objectos valiosos destinados à fundição. Em Espanha, o ouro fundido era transformado em moedas.[7]
[1] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[2] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 318
[4] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 318
[5] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[6] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 320
Sem comentários:
Enviar um comentário