Os mixtecas destacaram-se pelo seu trabalho com ouro, ainda que utilizassem outros metais, como a prata e o cobre. O ouro, ou em mixteco, dziñuhu cuaa ("el resplandeciente amarillo"), era considerado sagrado, sendo identificado como o excremento do deus Sol. Com uma cor associada à luz, à vida e ao calor, era um metal que simbolicamente identificava o dia, ao contrário da prata, que celebrava a noite. A prata, em mixteco, dai nuhu cuisi ("el resplandeciente blanco"), era por sua vez o excremento da Lua, astro que evocava a periodicidade, a renovação e o princípio feminino. O ouro e a prata representam por sua vez a eterna dualidade da cosmogonia Mesoamericana, relacionando o dia e a noite, a vida e a morte. Estes metais eram também diversas vezes trabalhados em conjunto, através do processo das ceras perdidas, técnica explanada mais adiante. [1]
Os primeiros objectos em metal foram introduzidos por mercadores de terras distantes de Oaxaca, que tinham como intenção a recolha de materiais do seu interesse. Enquanto difundiam as peças e as técnicas metalúrgicas, procuravam recolher conchas bivalves e caracóis, muito apreciados nas cerimónias religiosas e de extrema significância para a cultura Mesoamericana. Não só trouxeram peças que "brilhavam como o Sol", isto é, objectos de ouro, como mostraram ao povo de Oaxaca o local da extracção do metal e de que forma a mesma deveria ser feita.[2] O ouro era facilmente encontrado nos rios, sobretudo nas margens de decursos secundários, sendo obtido nesta extracção sob a forma de pepitas ou escamas. Uma vez que estes comerciantes nem sempre dispunham das condições favoráveis à navegação, ficavam bastante tempo em terras mixtecas, tirando proveito desses períodos para a extracção do ouro. O metal era recolhido em vasos especiais e seguidamente levado para as oficinas, onde posteriormente era em parte fundido para barras. Uma parte menor do ouro recolhido era deixado no seu estado primário, sendo depois utilizado para a fundição de peças de menores dimensões.[3] Os mixtecas possuíam em abundância este metal, sendo mesmo os com maior riqueza e controlo neste monopólio.
Devido à sua importância sagrada e simbólica, o uso do ouro era consagrado aos mais nobres da sociedade. Apesar dos ourives, ou Tay Tevuidzi ñuh, em mixteco, poderem trabalhar este metal, apenas os nobres, governantes e guerreiros, podiam utilizar objectos realizados com o mesmo. As peças de joalharia eram utilizadas como símbolo de um estatuto social e distinguiam o seu portador. Neste sentido, manufacturavam-se emblemas e insígnias. Nos emblemas destaca-se o uso de objectos como: brincos, colares, peitorais, pulseiras, braceletes, anéis simples de argola, anéis com pingentes, unhas falsas, discos lisos ou com motivos repuxados e incrustações de turquesa, lamelas para costura na indumentária. Relativamente às insígnias, as mesmas indicavam importantes posições sociais entre os nobres. Consoante a linhagem dos mesmos eram utilizadas tiaras, coroas ou diademas. No caso dos guerreiros, recorria-se ao uso de "narigueras" ou botões nasais e "bezotes". As jóias demonstravam também a descendência sagrada dos governantes, uma vez que os deuses tinham-lhes atribuído o poder, governando dessa forma a sua palavra e lei.[4]
Muito comum era também o uso de pedras preciosas, como o âmbar, o cristal de rocha, a turquesa e o jade.
O âmbar, yuu nduta nuhu em mixteco, traduz-se como a "pedra sagrada do mar", significado este que surge na lâmina 47 do códice Mendocino. Esta gema podia-se apresentar segundo três variedades: o âmbar de cor amarela, o mais valorizado; o âmbar de cor amarela misturada com verde claro; e o de cor amarelo pálido, pouco apreciado. O cronista afirma ainda que esta pedra preciosa era obtida na província de Tzinacantan. Simbolicamente, era muito apreciado pela sua cor semelhante à do Sol, do ouro e da terra antes das temporadas de chuva. Encontrava-se associado ao deus Xipe, sendo que se pintavam de amarelo aqueles que iriam ser sacrificados no fogo.
O cristal de rocha, yuu u yuhu em mixteca, apesar de ser uma uma gema muito dura, difícil de talhar, era apreciado pela sua cor translúcida, associada à pureza. São raros os vestígios arqueológicos de peças fabricadas com este material.
O jade, yunn duta e também yunn tatna em mixteco, era considerado uma pedra sagrada, associada aos deuses da água e da fecundidade. Nas Relaciones geográficas de la diócesis de Oaxaca del siglo X, mencionava-se Nejapa, em Oaxaca, como o lugar de obtenção do jade. [5]
A turquesa era associada ao céu e à água, sendo por isso também de extrema importância para a concepção simbólica das jóias.[6]
[1] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[2] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
[3] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[4] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
[5] CARMONA, Martha, El bezote: símbolo de poder entre los antiguos Mixtecas, Boletín del Museo del Oro, nº 42 de 1997, Mexico
[6] Culturas de Oaxaca in http://www.mna.inah.gob.mx/index.php/salas-de-exhibicion/permanentes/arqueologia/culturas-de-oaxaca.html?Itemid=85, consultado em 28/4/2013
Os primeiros objectos em metal foram introduzidos por mercadores de terras distantes de Oaxaca, que tinham como intenção a recolha de materiais do seu interesse. Enquanto difundiam as peças e as técnicas metalúrgicas, procuravam recolher conchas bivalves e caracóis, muito apreciados nas cerimónias religiosas e de extrema significância para a cultura Mesoamericana. Não só trouxeram peças que "brilhavam como o Sol", isto é, objectos de ouro, como mostraram ao povo de Oaxaca o local da extracção do metal e de que forma a mesma deveria ser feita.[2] O ouro era facilmente encontrado nos rios, sobretudo nas margens de decursos secundários, sendo obtido nesta extracção sob a forma de pepitas ou escamas. Uma vez que estes comerciantes nem sempre dispunham das condições favoráveis à navegação, ficavam bastante tempo em terras mixtecas, tirando proveito desses períodos para a extracção do ouro. O metal era recolhido em vasos especiais e seguidamente levado para as oficinas, onde posteriormente era em parte fundido para barras. Uma parte menor do ouro recolhido era deixado no seu estado primário, sendo depois utilizado para a fundição de peças de menores dimensões.[3] Os mixtecas possuíam em abundância este metal, sendo mesmo os com maior riqueza e controlo neste monopólio.
Devido à sua importância sagrada e simbólica, o uso do ouro era consagrado aos mais nobres da sociedade. Apesar dos ourives, ou Tay Tevuidzi ñuh, em mixteco, poderem trabalhar este metal, apenas os nobres, governantes e guerreiros, podiam utilizar objectos realizados com o mesmo. As peças de joalharia eram utilizadas como símbolo de um estatuto social e distinguiam o seu portador. Neste sentido, manufacturavam-se emblemas e insígnias. Nos emblemas destaca-se o uso de objectos como: brincos, colares, peitorais, pulseiras, braceletes, anéis simples de argola, anéis com pingentes, unhas falsas, discos lisos ou com motivos repuxados e incrustações de turquesa, lamelas para costura na indumentária. Relativamente às insígnias, as mesmas indicavam importantes posições sociais entre os nobres. Consoante a linhagem dos mesmos eram utilizadas tiaras, coroas ou diademas. No caso dos guerreiros, recorria-se ao uso de "narigueras" ou botões nasais e "bezotes". As jóias demonstravam também a descendência sagrada dos governantes, uma vez que os deuses tinham-lhes atribuído o poder, governando dessa forma a sua palavra e lei.[4]
Muito comum era também o uso de pedras preciosas, como o âmbar, o cristal de rocha, a turquesa e o jade.
O âmbar, yuu nduta nuhu em mixteco, traduz-se como a "pedra sagrada do mar", significado este que surge na lâmina 47 do códice Mendocino. Esta gema podia-se apresentar segundo três variedades: o âmbar de cor amarela, o mais valorizado; o âmbar de cor amarela misturada com verde claro; e o de cor amarelo pálido, pouco apreciado. O cronista afirma ainda que esta pedra preciosa era obtida na província de Tzinacantan. Simbolicamente, era muito apreciado pela sua cor semelhante à do Sol, do ouro e da terra antes das temporadas de chuva. Encontrava-se associado ao deus Xipe, sendo que se pintavam de amarelo aqueles que iriam ser sacrificados no fogo.
O cristal de rocha, yuu u yuhu em mixteca, apesar de ser uma uma gema muito dura, difícil de talhar, era apreciado pela sua cor translúcida, associada à pureza. São raros os vestígios arqueológicos de peças fabricadas com este material.
O jade, yunn duta e também yunn tatna em mixteco, era considerado uma pedra sagrada, associada aos deuses da água e da fecundidade. Nas Relaciones geográficas de la diócesis de Oaxaca del siglo X, mencionava-se Nejapa, em Oaxaca, como o lugar de obtenção do jade. [5]
A turquesa era associada ao céu e à água, sendo por isso também de extrema importância para a concepção simbólica das jóias.[6]
[1] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[2] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
[3] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[4] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
[5] CARMONA, Martha, El bezote: símbolo de poder entre los antiguos Mixtecas, Boletín del Museo del Oro, nº 42 de 1997, Mexico
[6] Culturas de Oaxaca in http://www.mna.inah.gob.mx/index.php/salas-de-exhibicion/permanentes/arqueologia/culturas-de-oaxaca.html?Itemid=85, consultado em 28/4/2013
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