Como já referimos anteriormente, a joalharia desempenhava um papel fundamental na sociedade mixteca, sendo símbolo do divino e de um estatuto social elevado. Os ourives na sua prática de oficina eram supervisionados por sacerdotes, sobretudo quando tinham de representar em anéis, pingentes, peitorais ou broches, a figuração dos deuses.[1] Na iconografia destas representações vão figurar diversos deuses, entre eles, os mais comuns: Xipe Totéc, deus da Primavera e dos ourives; Toho Ita, senhor das flores e do Verão; Koo Sau, a serpente sagrada emplumada (fig. 1); Yaa Dzandaya, divindade do Inframundo; Ñuhu Savi ou Dazahui, deus da chuva e do raio; Yaa Nikandii, o deus solar, implícito no próprio ouro. Segundo as indicações dos sacerdotes, estas figuras deviam ser todas representadas como homens, incluindo o deus Sol. Outra representação comum do Sol são também os círculos, lisos ou com raios solares, num trabalho repuxado do ouro. As divindades podiam também surgir segundo representações zoomorfas, sendo exemplo a iconografia com: jaguares, águias, faisões, borboletas, cães, coiotes, tartarugas, rãs, búfalos, serpentes e morcegos.(fig. 2) O simbolismo destas figurações assemelha-se ao das esculturas toltecas e maias, estando sempre ligado aos deuses e às questões astrais. [2]
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| Fig. 1 - Bezote em forma de serpente, evocando o deus Koo Sau |
As flores, as plumas e as faces dos deuses que figuravam nas jóias, eram desenhadas cuidadosamente com os fios de ouro. Era também frequente a representação de cenas cosmológicas.
Quanto aos motivos ornamentais destacam-se as grecas, motivo simbólico com várias interpretações, evocando esquematicamente o deus da Serpente, Koo Sau. Este motivo podia também representar as diferentes etapas da vida, aludindo à condição humana. São também frequentes as volutas, os meandros, linhas curtas onduladas - meramente decorativas, espirais, granulados e entrançados. Independentemente da oficina em que eram fabricados, estes motivos eram difundidos e surgiam sempre iguais. A sua representação era modular, criando diversos padrões. A ourivesaria mixteca apresenta uma tendência de preenchimento de todos os espaços, seja através da filigrana ou do granulado, incluindo uma grande pormenorização nos desenhos e nos remates. No remate de diversas peças podemos ainda encontrar guizos ou sinos, utilizados com um sentido de protecção.[3]
Era muito frequente o uso de pingentes, sustentados pelo bico de uma ave, que se apresentava numa posição de voo descendente. Estes elementos apresentavam formas relacionadas com o sagrado e pedras preciosas, e podiam ser utilizados em anéis, "orejeras" ou "bezotes". Em complemento, eram rematados por argolas e plumas. [4]
[1] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
[2] SOUSTELLE, Jacques, El arte del México Antiguo, Barcelona: Juventud, 1969, p. 120
[3] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 320
[4] idem, p. 320


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