Tecnicamente, os mixtecas rapidamente desenvolveram os processos importados, sendo as técnicas metalúrgicas mais antigas conhecidas amplamente em Oaxaca. Numa primeira fase o metal era trabalho em forjamento, com o martelo, a frio. Mais tarde é introduzido o processo de recozimento para que o metal não seja tão quebradiço e pudesse ser mais maleável. Esta técnica foi também fundamental para o fabrico de ferramentas, uma vez que ao atribuir mais resistência ao metal, em conjunto com a martelada, endurecia o metal quando arrefecido, sobretudo quando se tratava de instrumentos em cobre. Com os comerciantes estrangeiros é introduzida a fundição do metal, os moldes para o processo das ceras perdidas, e a técnica do dourado.
As técnicas utilizadas podem então ser divididas em dois grandes grupos: as técnicas primárias e as técnicas complementares. Nas técnicas primárias integra-se o martelamento e a prensagem para a laminação, o repuxado, o recozimento, o estampado e as uniões mecânicas. Nas técnicas complementares, desenvolvidas mais tardiamente, consta a incrustação e o engaste de gemas, o revestimento, a gravação e cinzelagem, as ceras perdidas e o polimento como técnica de acabamento.[1]
A técnica das ceras perdidas, ainda hoje amplamente utilizada, requeria um grande domínio técnico e habilidade, tratando-se de um processo complexo e demorado. Esta técnica consiste, numa primeira fase, no fabrico em cera do objecto pretendido. De seguida, era feito um molde do mesmo em carvão e argila, sendo deixados orifícios para a libertação do ar no momento da fundição. Num terceiro passo, o molde era colocado num forno para que a cera se fundisse, desocupando assim as cavidades a serem preenchidas pelo ouro. Ou seja, um jogo de negativos e positivos. Sem retirar o molde do forno, para que não restasse qualquer vestígio de cera ou humidade, e se mantivesse a temperatura elevada do mesmo, o metal que era simultaneamente fundido num cadilho, era vertido para o molde, fluindo pelas cavidades deixadas pela cera. De seguida, o molde era deixado a arrefecer lentamente no forno já apagado, partindo-se quando frio e libertando a peça. Na última fase do processo, a peça era limpa e polida. Efectuava-se uma primeira limpeza para retirar as marcas dos respiradouros. De seguida, submetia-se o objecto a um banho de alumínio e através do recozimento eliminavam-se os óxidos superficiais. Dava-se um banho de ácido para o ouro ficar mais reluzente e por fim, era novamente polido.
Praticantes natos do casamento dos metais, desenvolveram também a técnica do dourado. Este processo consistia no acabamento das peças através de uma liga com pouco ouro e muito cobre, de forma a dar o aspecto de "ouro fino". O objecto era recozido até o cobre formar uma capa na superfície, sendo seguidamente submetido a um banho ácido de algumas plantas ou de urina, para retirar essa capa. Esta técnica foi também utilizada pelos comerciantes estrangeiros, no entanto, ao contrário dos mixtecas, usavam pouco ouro nos seus casamentos de metais. Apesar de possuírem este conhecimento, a liga de metal utilizada pelos mixtecas nunca possuía muito cobre, sendo a "tumbaga", uma liga de metal com 80% de cobre e 20% ou 30% de ouro, muito raramente utilizada. Na realidade, a liga utilizada pelos mixtecas possuía até 80% de ouro, sendo a restante percentagem de prata, o que conferia uma maior maleabilidade e reduzia a temperatura de fundição. [2]
Muito comum nas peças mixtecas era também o uso de finos fios de ouro, numa espécie de filigrana ou rendilhado, que desenhavam complexos pormenores na joalharia. Devido à qualidade exímia na fundição, os ourives conseguiam fundir estes fios juntamente com o objecto onde se localizariam.[3]
Na soldadura os mixtecas revelaram-se também grandes mestres. Soldavam tanto a frio como a quente e também por meio da martelada, sem deixar qualquer vestígio da mesma. A soldadura era utilizada como união de peças do mesmo metal, sendo usado para o efeito cristais de cobre ou carbonatos de cobre, como a azurita e malaquita, materiais muito abundantes que formam a liga perfeita para a fundição. Quando a soldadura era imperfeita ficava no reverso da peça, sem deixar qualquer vestígio visível para o espectador. Em alguns objectos, a cor oxidada obtida pela soldadura era apreciada, sendo deixada deliberadamente. A união de peças podia também ser efectuada de forma mais simples, por meio de grampos, sendo este processo especialmente utilizado na união de fios.
Como instrumentos utilizavam maços de pedra como martelos, e apoiavam-se em bigornas de diferentes formatos para laminar com diferentes espessuras o metal. As lâminas mais finas eram utilizadas para cobrir as contas de carvão e de argila, e as de maior espessura utilizadas para o fabrico de discos do deus Sol.[4]
[1] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[2] PEREA, Alicia, Tecnología del oro aniguo: Europa y América, Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 2004, p. 320
[3] CARMONA, Martha, La orfebrería prehispánica mixteca in http://www.mexicodesconocido.com.mx/la-orfebreria-prehispanica-mixteca.html, consultado em 24/4/2013
[4] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
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