Para além das representações gerais da arte mesoamericana, comprovadas nos códices, onde podemos identificas cenas sagradas, cosmológicas, datas, animais e elementos arquitectónicos, estes ossos de animais apresentaram calendários que divergiam na sua quantidade de dias, contribuindo para a problematização do conhecimento neste âmbito. Com a descoberta de uma grande quantidade destes objectos artísticos na Tumba nº 7 de Monte Albán, a própria investigação considera-os na interpretação de códices, revelando-se assim uma fonte incontornável no entendimento da cultura mixteca.
A Tumba nº 7 de Monte Albán é fundamental para a compreensão estilística destas peças, uma vez que se assemelham a outras descobertas por Roberto Gallegos, nas Tumbas 1 e 2 de Zaachila, assim como outras achadas em Oaxaca. Nesta Tumba foram encontrados inúmeros ossos de animais e de humanos, encontrando-se entre eles 34 ossos de jaguar e outra quantidade menor de ossos de águia, esculpidos. Alguns dos ossos apresentam possivelmente uma função prática, possuindo a forma de um lançador de dardos ou de um objecto furador. Outros apresentam-se como lâminas, cortadas verticalmente do osso, com os extremos afiados. Estas lâminas apresentavam decoração de um só dos lados, com relevos de grande profundidade.
Em alguns dos objectos provavelmente era incrustada turquesa e concha, sendo a profundidade dos relevos nas figurações muito variável. Relativamente às figurações presentes nestes objectos, Miguel Covarrubias refere: "(...) os desenhos empregados são compactos; são motivos mitológicos e signos de calendário arranjados da mesma forma que nos códices, mas em tamanho pequeno e adaptados perfeitamente aos sectores em que se divide o objecto." Apesar da aglutinação de figuras, anulando diversas vezes o fundo, nenhuma das representações ficava comprometida, sendo de perfeita compreensão a narrativa representada, sem supressão de figuras. (fig.1) Para além deste esquema de representação, existem também representações de figuras individualmente, separadas geralmente por bandas decorativas. Nesta separação existem motivos frequentes, como serpentes, linhas curvas, chalchihuites ou xonecuillis - elementos que fazem sempre alusão a Xochipilli, deus do Verão. Apesar da variedade de motivos, num mesmo osso é apenas representado um motivo, podendo ser alternado com outro. (fig. 2) Nos vestígios que possuímos como fonte para este estudo, encontram-se no máximo três motivos diferenciados num mesmo osso. É também comum a confusão destes motivos com figurações que surgem em representações de céus diurnos de Verão e céus nocturnos, como raios solares, cabeças de animais e de deuses.
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| Fig. 1 - Exemplos de ossos talhados onde se verifica a profusão de elementos |
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| Fig. 2 - Na figura 5a verificamos o enquadramento da cena através de um rectângulo ! Na figura 5b. encontra-se a divisão das figuras por bandas decorativas |
A leitura destes objectos é determinada pelas figuras, sendo geralmente feita da direita para a esquerda.
Os ossos possuíam atributos especiais, sobretudo os de jaguar e de águia, animais de extrema importância religiosa. Revelam-se assim objectos pertencentes a uma elite política e sacerdotes e, segundo Luis Ruis Caso, a fonte na investigação deste tema, podiam tratar-se de talismãs. Esta suposição tem por base as lâminas com a representação dos dias favoráveis de tonalpohualli, e as que apresentam a corda floreada, motivo comum nos tambores de guerra. Fundamenta-se também no facto destes ossos serem encontrados em tumbas, acompanhando assim o defunto na sua viagem e apresentado-se como talismãs protectores.
Fonte de estudo: CASO, Luis Rius, Acercamiento a los huesos labrados de la orfebrería mixteca, pp. 7-14 in https://www.google.pt/url?sa=f&rct=j&url=http://www.analesiie.unam.mx/index.php/analesiie/article/download/1311/1298&q=&esrc=s&ei=PjyvUcbQBvDG7AbY-4G4Cg&usg=AFQjCNFRLz2IdeODzXfXkzLBufUdPYju3w, acedido em 2/5/2013


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