Nas tipologias das peças mais frequentes, destacam-se os peitorais, os pendentes, os anéis, os broches, as "orejeras", as "narigueras" e os "bezotes".
Os peitorais revelam-se grandes fontes para o conhecimento dos deuses, do calendário e das concepções míticas mixtecas e podiam ser utilizados de forma isolada ou como parte de um colar. Nas ilustrações dos códices de Tepetláoztoc ou de Kingsborough, figuram vários exemplares de peitorais, revelando-se fundamentais para este estudo. (fig.1)
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| Fig. 1 - Peitoral de escudo indígena | Ouro e turquesa | Yanhuitlán, Oaxaca | Pós-Clássico - c. 900-1521 | Museu Nacional de Antropologia, México |
Os pendentes são peças muito comuns, com representações de divindades ou de animais associados às mesmas. Supõe-se que podiam ser utilizados como elos de ligação na indumentária ou como parte de peitorais.
Os anéis, dzahui em mixteco, eram jóias muito variadas na sua forma, tamanho e design. Alguns eram extremamente pequenos, pensando-se que eram utilizados na segunda falange dos dedos, enquanto outros, devido ao grande comprimento que apresentam, pensa-se terem sido utilizados na terceira falage, como "unhas falsas". O número de anéis por mão era múltiplo, como podemos observar em algumas esculturas de divindades. O processo mais comum utilizado para o fabrico destas jóias era o das ceras perdidas, permitindo que a forma deste anéis varia-se entre simples argolas até aos anéis do tipo "diadema de turquesa", utilizado pelos nobres. Esta tipologia de anéis era composta pela argola estruturante do anel e uma placa de metal na sua parte frontal, decorada com grecas e granulados, ou com a figuração de uma ave, sendo muito comum a representação da águia que descende. Estes últimos anéis são aludidos no inventário enviado por Cortés para Espanha, feito por Cristóbal de Oñate, em 25 de Setembro de 1526. (fig. 2)
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| Fig. 2 - Anel | Ouro | Zaachila, Oaxaca | c. 1325 | Museu Nacional de Antropologia, México |
Os broches eram utilizados com uma função prática e simultaneamente decorativa. Utilizados como adorno no vestuário ou como remate nas capas dos nobres, guerreiros e governantes, apresentavam figurações semelhantes às dos pendentes.
As "orejeras" decoravam os lóbulos das orelhas e eram feitas em diferentes materiais. Podiam ser simples formas estilizadas, circulares, ou de formas complexas incluindo a agregação de plumas e pingentes. As "orejeras" designadas como epcolloli, associavam-se ao deus Quetzalcóatl, e eram feitas pelo martelamento de uma fina lâmina de ouro, posteriormente recortada e repuxada. Originalmente estas "orejeras" eram feitas de concha, podendo ser cobertas por mosaicos de turquesa. Existiam também "orejeras" de forma tubular, simples ou decoradas.
As "narigueras" eram adornos que que atravessavam o septo no nariz. Geralmente, eram de lâminas de ouro, recortadas com formas zoomorfas.[1]
Por fim, os "bezotes", yavuiindi dzaa em mixteco, que numa tradução livre se pode entender como "piercing no lábio", eram de uso exclusivo dos militares no topo da hierarquia. Esta jóia surge no período Pós-Clássico tardio, entre 1300 e 1521, e impregnava a classe militar de grande simbologia, sobretudo quando representavam divindades. (fig. 3) Associado ao seu significado estão também os materiais escolhidos para o fabrico destas peças, sendo comum o uso do cristal de rocha, o âmbar, o jade e o ouro. No Lienzo de Tlaxcala, lâmina 7, encontra-se representado o momento em que são oferecidos vários objectos a Hernán Cortés, destacando-se um "bezote" que representa um faisão. [2]
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| Fig. 3 - Retrato do tlatoani mexica Moctezuma Xocoyotzin, onde se verifica a utilização de um bezote em ouro |
[1] Orfebraria Prehispanica in http://riie.com.mx/?a=49160, consultado em 24/4/2013
[2] CARMONA, Martha, El bezote: símbolo de poder entre los antiguos Mixtecas, Boletín del Museo del Oro, nº 42 de 1997, Mexico



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